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Mostrando postagens de janeiro, 2020

A hora da estrela parte 2

A mulherice só lhe nasceria tarde porque até no capim vagabundo há desejo de sol. As pancadas ela esquecia pois esperando-se um pouco a dor termina por passar. Mas o que doía mais era ser privada da sobremesa de todos os dias: goiabada com queijo, a única paixão na sua vida. Pois não era que esse castigo se tornara o predileto da tia sabida? A menina não perguntava por que era sempre castigada mas nem tudo se precisa saber e não saber fazia parte importante de sua vida. Esse não-saber pode parecer ruim mas não é tanto porque ela sabia muita coisa assim como ninguém ensina cachorro a abanar o rabo e nem a pessoa a sentir fome; nasce-se e fica-se logo sabendo. Assim como ninguém lhe ensinaria um dia a morrer: na certa morreria um dia como se antes tivesse estudado de cor a representação do papel de estrela. Pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é o instante de glória de cada um e é quando como no canto coral se ouvem agudos sibilantes. Quando era pe...

paixão gh parte 3

I A coisa é tão delicada que eu me espanto que ela chegue a ser visível.  A gente pisa nelas com pata humana demais  E há coisas ainda tão mais delicadas que estas não são visíveis .  Ah, as tentativas de experimentar a hóstia. ,      Eu queria entra em contato mais profundo com o ar,, mas este não é para ser aprofundado, foi destinado a ficar assim mesmo suspenso. a noite caindo é a transformação lenta de algo se transformando no mesmo algo, apenas acrescentado de mais uma gota idêntica de tempo. Uma vez disse a alguém, o que faremos hoje a noite. -    Nada - respondeu esse alugem tão mais sábio que eu -, nada,  Terei que dar  adeus à beleza. Beleza era o modo como eu, fraco enfeitava a coisa para poder tolerar o núcleo. o mundo não tem nenhuma inteção de beleza. minha raiz, tinha gosto de batata, misturada com a terra de onde foi arrancada.  Passei pelo roer a terra e pelo comer o chão, e por sentir com horr...

paixao gh parte 2

me reorganizarei daquilo que nasci, assim como no neutro do sêmen está inerente o ritual da vida.  não resistirei à minha vontade de  entrar no tecido misterioso, nesse plasma de onde talvez eu nunca mais possa sair .  Eu me  sentia incapaz de ser tão real quanto a realidade que estava me alcanç ando -  estaria eu começando em contorções a ser tão real quanto o que eu via? No entanto toda essa realidade eu a vivia com profunda desrealização. O que estou tentando te dizer é de como cheguei ao neutro e ao inexpressivo de mim .  Não sei se estou entendendo o que falo, pois apenas sinto. E terei que entender o neutro com o sentir. O neutro,  Estou falando do elemento vital que liga as coisas. ah!!!, não tenho medo que voce não compreenda, mas sei que não me compreendi. e nao me compreendendo, morrerei daquilo de que  vivo.  ao deixar os sentimentos, se descobre a ampla vida da indiferen...