paixão gh parte 3
I
A coisa é tão delicada que eu me
espanto que ela chegue a ser visível. A gente pisa nelas com pata humana demais E há coisas ainda tão mais delicadas
que estas não são visíveis. Ah, as tentativas de experimentar a hóstia.
, Eu queria entra em contato mais
profundo com o ar,, mas este não é para ser aprofundado, foi destinado a
ficar assim mesmo suspenso.
a noite caindo é a transformação lenta de algo se transformando no mesmo algo,
apenas acrescentado de mais uma gota idêntica de tempo. Uma vez disse a alguém, o que faremos hoje a noite.
- Nada - respondeu esse alugem tão mais sábio que eu -, nada,
Terei que dar adeus à
beleza. Beleza era o modo como eu, fraco enfeitava a coisa para poder tolerar o núcleo. o mundo não tem nenhuma inteção de beleza.
minha raiz, tinha gosto de batata, misturada com a terra de onde foi arrancada. Passei pelo roer a terra e pelo comer o chão, e
por sentir com horror que a terra sentia prazer nisso. ter nojo contradizia a minha matéria.
quero vir antes do céu se movendo em nuvens e
quero vir antes do céu se movendo em nuvens e
paro de procurar o movimento completo, poque nunca se completa, e nós é que por desejo
completamos; n
ficarei com a desilusão. porque é nela que se cumpre a promessa, a esperança se cumpre tão já- e mesmo antes de eu morrer! Tão antes de eu morrer.
quem dissese que esta doendo largar o que era o
mundo
deveria ser
preso - eu mesmo prefiro me considerar temporariamente
fora de mim, a ter a coragem de achar que tudo isso é uma verdade.
falar está sendo
mudo e Falar com o Deus é o que de mais mudo existe. ainda estou viciado pelo condimento da palavra.
Não, não tenho que subir através da prece: tenho só que,me tornar um nada vibrante,
comendo a pasta branca da barata esgamagada, o seu de dentro, eu uniria meu coropo a minha alma.
isso eu fiz, mas sei que não participei .
“Não saber” - era assim então que o mais profundo acontecia
Mas do nojo e do horror do que eu tinha feito, só me ficou a ideia...mas esta ficou mais que comecei a cuspir. mas o que cuspia era eu mesmo. talvez tivesse tentado cuspir minha alma toda
mas a coisa neutra é enérgica e eu continuava sendo eu. Só parei quando compreendi que estava desfazendo tudo o que havia feito, ao tentar me renegerar.
é que, eu não estava à altura senão de minha própria vida. viver é a maior alutra que posso chegar.
Eu que tinha pensado que a maior prova de
transmutação seria botar na boca a massa branca da barata.
E que assim me aproximaria do... divino? do que é real?
Entendi então que viver é uma grande dádiva para com os outros mesmo que sua vida se
passe dentro de uma incomunicabilidade
Dói em vcoe que a bondade do Deus seja
neutramente contínua e continuamente neutra? Mas o que eu antes queria como
milagre, era na verdade um desejo de uma anomalia: eu chamava de milagre
exatamente o momento em que o verdadeiro milagre contínuo do processo se
interrompia.
Mas a bondade neutra do Deus é ainda mais apelável do que se não fosse neutra: é só ir. como num hospital em que os doentes ainda amanhecem vivos.
mas também o milagre se pede, e se tem, pois a continuidade tem interstícios que não a descontinuam, o milagre é a nota que fica entre duas notas de música, é
É só precisar e ter. a fé é minha garantia de sempre precisar e de ter esperança.
Mas a bondade neutra do Deus é ainda mais apelável do que se não fosse neutra: é só ir. como num hospital em que os doentes ainda amanhecem vivos.
mas também o milagre se pede, e se tem, pois a continuidade tem interstícios que não a descontinuam, o milagre é a nota que fica entre duas notas de música, é
É só precisar e ter. a fé é minha garantia de sempre precisar e de ter esperança.
eu não precisava ter comido da barata. e a lei é que a barata só será amada e comida por outra da mesma espécie. e que um Homem, na hora do amor está
vivendo a sua própria espécie.
agora Sou eu quem está te dando a mão.
agora Sou eu quem está te dando a mão.
acreditar em tudo
isso será, no começo, sera tua grande solidão. Solidão é ter
apenas o destino humano.
não ter solidão deixa um só, que é todo só. solidão não isola da coisa: porque sempre terá como companhia o destino construído pela carência
nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. Estar vivo deste modo, é um corpo que ganha rosto, um estágio muito alto, mas com equilibrio instável
nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. Estar vivo deste modo, é um corpo que ganha rosto, um estágio muito alto, mas com equilibrio instável
Estar vivo é a irradiação da indiferença da natureza. isso só se medita profundamente, naquela meditação tão vazia que um sorriso se exala
como de uma matéria.
Mas sólido e real é como o estado mais permanente. Estou falando da morte? estou falando de depois da morte? Não sei. Sinto que “não humano” é uma grande realidade
Mas sólido e real é como o estado mais permanente. Estou falando da morte? estou falando de depois da morte? Não sei. Sinto que “não humano” é uma grande realidade
Mas ainda não posso apreender esse modo. É como se daqui a
centenas de milhares de anos sermos matéria viva se manifestando diretamente, desconhecendo palavra,
ultrapassando o pensar que é sempre grotesco.
E não caminharei “de pensamento a
pensamento”, Seremos inumanos - como a mais alta
conquista do homem. Ser é ser além do humano. Ser homem não dá certo, ser homem
tem sido um constrangimento.
O desconhecido nos aguarda, mas sinto que esse desconhecido é uma totalização e será a verdadeira humanização pela qual ansiamos. Estou falando da morte? não, da vida.
O desconhecido nos aguarda, mas sinto que esse desconhecido é uma totalização e será a verdadeira humanização pela qual ansiamos. Estou falando da morte? não, da vida.
se parece com
o paraíso, onde nem sequer posso imaginar o que eu faria, pois só posso me
imaginar pensando e sentindo, que são apenas dois atributos de se ser, e não consigo me
imaginar apenas sendo, tão mais leve e tão maior do que pensar e sentir. Apenas ser
estou desconfiado que de novo, estou apenas querendo transcender.
Estaria eu alargando demais a coisa para exatamente ultrapassar o pedaço de ferro e o pedaço de vidro?
Estaria eu alargando demais a coisa para exatamente ultrapassar o pedaço de ferro e o pedaço de vidro?
Pois eu nem reduzia a esperança a uma simples construção humana, nem negava que realmente existe pelo que esperar. Nem tirava a promessa: estava apenas sentindo e pensando, com um esforço enorme, que a esperança e a promessa se cumprem a cada instante.
E isso era aterrador, eu sempre tive medo de ser fulminada pela realização, eu sempre havia pensado que a realização é um final e não contava com o sempre nascimento da necessidade.
Quando se realiza o viver, pergunta-se: mas era só isto? E a resposta é: não é só isto, é exatamente isto.
Só que ainda preciso tomar cuidado para
não fazer disto mais do que isto, pois senão já não será mais isto. o que eu
chamava de “eu”, sem saber era apenas mais um acréscimo de mim.
não preciso de nada. Não preciso
sequer que nada exista. Eu sei agora de um modo que vem antes de tudo, que vem antes do existir, inclusive da natureza. Mas meu ocasional contato com estas coisas que por acaso existem, inclusive com meus desejos continuem sendo para mim como uma boca comendo.
a perda de tudo o que se possa perder e, ainda assim,
ser. tirar de si, como quem se livra da própria pele, das proprias características.
Tudo o que me caracteriza é reconhecível por mim apenas superficialmente.
Tudo o que me caracteriza é reconhecível por mim apenas superficialmente.
Aquilo de que se vive e que não tem nome me aproximo através do deixar de me ser.
Não porque eu então encontre o nome do nome e torne concreto o impalpável
A gradual desenraização de si mesmo é o
verdadeiro trabalho que se labora sob o aparente trabalho, a vida é uma missão
secreta.
Tão secreta é a verdadeira vida que nem a mim, que morro dela, me pode ser confiada a senha, como uma vocação ignorada.
a vida em mim não tem o meu nome.
Tão secreta é a verdadeira vida que nem a mim, que morro dela, me pode ser confiada a senha, como uma vocação ignorada.
a vida em mim não tem o meu nome.
E eu também não tenho nome, e este é o
meu nome.
A desuminização é o grande fracasso de
uma vida. Nem todos chegam a fracassar porque é tão trabalhoso, é preciso antes
subir penosamente até enfim atingir a altura de poder cair -
só posso alcançar a despersonalidade da mudez se eu antes tiver construído toda uma voz.
Minhas civilizações eram necessárias para que eu subisse a ponto de ter de onde descer.
Minha voz é o modo como vou buscar a realidade, mas a realidade, antes de minha linguagem, existe como um pensamento que não se pensa,
A realidade antecede a voz que a procura, mas como a terra antecede a árvore, mas como o mundo antecede o homem, mas como o mar antecede a visão do mar, a matéria do corpo antecede o corpo, e por sua vez a linguagem um dia terá antecedido a posse do silêncio.
A realidade é a matéria-prima, a linguagem é o modo como vou buscá-la - e como não acho. Mas é do buscar e não achar que nasce o que eu não conhecia,
A linguagem é o meu esforço humano. Por destino tenho que ir buscar e por destino volto com as mãos vazias.
E é inútil procurar encurtar caminho e querer começar já sabendo que a voz diz pouco, já começando por ser despessoal.
Pois existe a trajetória, e a trajetória não é apenas um modo de ir. A trajetória somos nós mesmos.
Em matéria de viver, nunca se pode chegar antes. desistência é o prêmio. Desistir é a escolha mais sagrada de uma vida. é a glória própria de nossa condição. a desistencia é uma das revelações secretas.
só posso alcançar a despersonalidade da mudez se eu antes tiver construído toda uma voz.
Minhas civilizações eram necessárias para que eu subisse a ponto de ter de onde descer.
Minha voz é o modo como vou buscar a realidade, mas a realidade, antes de minha linguagem, existe como um pensamento que não se pensa,
A realidade antecede a voz que a procura, mas como a terra antecede a árvore, mas como o mundo antecede o homem, mas como o mar antecede a visão do mar, a matéria do corpo antecede o corpo, e por sua vez a linguagem um dia terá antecedido a posse do silêncio.
A realidade é a matéria-prima, a linguagem é o modo como vou buscá-la - e como não acho. Mas é do buscar e não achar que nasce o que eu não conhecia,
A linguagem é o meu esforço humano. Por destino tenho que ir buscar e por destino volto com as mãos vazias.
E é inútil procurar encurtar caminho e querer começar já sabendo que a voz diz pouco, já começando por ser despessoal.
Pois existe a trajetória, e a trajetória não é apenas um modo de ir. A trajetória somos nós mesmos.
Em matéria de viver, nunca se pode chegar antes. desistência é o prêmio. Desistir é a escolha mais sagrada de uma vida. é a glória própria de nossa condição. a desistencia é uma das revelações secretas.
Desisto, e terei sido humano - desisto, e então caibo. na fraqueza sou generosamente acolhido.
credo, vivier tem me tirado o sono
credo, vivier tem me tirado o sono
Chego à altura de poder cair, estremeço e desisto, eis que tudo o que não tenho é que é meu.
quanto menos sou mais vivo, quanto mais perco o meu nome mais me chamam,
desistir é uma das senhas. quanto mais ignoro a senha mais cumpro o segredo, quanto mais sei, mais mais adocicado é o abismo ser o meu destino. E então eu adoro.
quanto menos sou mais vivo, quanto mais perco o meu nome mais me chamam,
desistir é uma das senhas. quanto mais ignoro a senha mais cumpro o segredo, quanto mais sei, mais mais adocicado é o abismo ser o meu destino. E então eu adoro.
Com as mãos cruzadas, eu estava tendo uma levíssima e insignificante alegria.
Era um quase nada, mas eu conseguia perceber seu ínfimo movimento, assim como quando a brisa faz estremecer um fio de capim.
Não sei, mas eu me aproximava angustiadamente de alguma coisa com a delicadeza de quem tem medo. Eu estava me aproximando da coisa mais forte que já me aconteceu.
Era um quase nada, mas eu conseguia perceber seu ínfimo movimento, assim como quando a brisa faz estremecer um fio de capim.
Não sei, mas eu me aproximava angustiadamente de alguma coisa com a delicadeza de quem tem medo. Eu estava me aproximando da coisa mais forte que já me aconteceu.
Mais forte que esperança de se salvar?
Eu me aproximava do que acho que era -
confiança. Talvez seja este o nome. Ou não importa: também poderia dar outro.
Senti que meu rosto em pudor sorria. Ou
talvez não sorrisse, não sei. Eu confiava. Em mim? no mundo? no Deus? Não sei.
Eu não alcançaria jamais a minha raiz, mas minha raiz existia.
Eu, que havia vivido do meio do caminho pra frente mas em fim dei o
primeiro passo de seu começo.
enfim quebrara-se realmente o
meu invólucro, e “eu” é apenas um dos espasmos instantâneos do mundo.
Minha vida não tem sentido apenas humano, é muito maior - é tão maior que, em relação ao humano, não tem sentido.
só realizaria meu destino especificamente humano se realizasse o que não era humano e me entregasse ao pertencer desconhecido.
só posso rezar ao que não conheço. só posso amar à evidência desconhecida das coisas,
Minha vida não tem sentido apenas humano, é muito maior - é tão maior que, em relação ao humano, não tem sentido.
só realizaria meu destino especificamente humano se realizasse o que não era humano e me entregasse ao pertencer desconhecido.
só posso rezar ao que não conheço. só posso amar à evidência desconhecida das coisas,
Mas neste ultrapassamento, não poderei me excluir. Eu estava agora tão maior que já não me via mais como uma paisagem ao longe. Eu era ao longe. Mas perceptível nas minhas mais
últimas montanhas e na mais última extremidade de mim, eu podia enfim sorrir sem
nem ao menos sorrir.
a confiança a que eu havia chegado é a de que nunca estou
entendendo o que estou dizendo. Nunca mais compreenderei o que eu
disser. Pois como poderia eu dizer sem que a palavra mentisse por mim? como
poderei dizer senão timidamente assim: minha vida é para mim. Se deu para mim e eu não
entendo o que digo. E adoro isso.
***
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