paixao gh parte 2













me reorganizarei daquilo que nasci, assim como no neutro do sêmen está inerente o ritual da vida. 

não resistirei à minha vontade de entrar no tecido misterioso, nesse plasma de onde talvez eu nunca mais possa sair

Eu me sentia incapaz de ser tão real quanto a realidade que estava me alcançando - 

estaria eu começando em contorções a ser tão real quanto o que eu via? No entanto toda essa realidade eu a vivia com profunda desrealização.

O que estou tentando te dizer é de como cheguei ao neutro e ao inexpressivo de mim
Não sei se estou entendendo o que falo, pois apenas sinto. E terei que entender o neutro com o sentir.

O neutro, Estou falando do elemento vital que liga as coisas. ah!!!, não tenho medo que voce não compreenda, mas sei que não me compreendi. e nao me compreendendo, morrerei daquilo de que  vivo. 

ao deixar os sentimentos, se descobre a ampla vida da indiferença silenciosa, extremamente ocupada, a mesma dos astros.  ali não há piedade nem esperança, só a maravilhosa grandeza da indiferença.
sei o que se faz no escuro da natureza. gozam-se as coisas. Frui-se a coisa de que são feitas as coisas 

procura me entender, a proteína e o sêmen são vivos, neutros e indiferentes.
 o indiferente é O neutro inexplicável e vivo

era como que se minha alma estivesse viciada por alegrias e dores - e nunca tivesse sentido o gosto primeiro. 

sem o humano - o que era sofrimento,  orgiacamente era o gosto da identidade das coisas.

Quantos infinitos, importâncias ou detalhes  poderiam serem acessiveis.

ao experimentar o gosto da identidade real, esta parecia tão sem gosto como o gosto que tem na boca uma gota de chuva. 

sentir o gosto desse quase nada, é a alegria secreta dos deuses. É um nada que é o Deus - e que não tem gosto.
a essa altura o quarto já era de um familiar, igual aquela familiarização que temos com nosso sonhos. mas como no sonho, nao se pode reproduzir o que há no seu essencial  pois a verdade maior do sonho se perde ao acordar.
de novo um cançado me tomou.  Um pouco mais e ele me petrificaria.
Então voltei a janela do quarto e por ela,  para além das gargantas rochosas,    entre os cimentos dos edifícios,  via-se os planaltos da Ásia Menor. 
E mais além o lago azul que sentilava e logo após, já o começo das areias 

Através das outras janelas dos apartamentos eu via um vaivém de sombras e pessoas, como dos primeiros mercadores assíriosEstes lutavam pela posse da Ásia Menor.
Eu havia desencavado o futuro - ou tinha chegado ao antigo longiquo que ainda iria vir, que minhas mãos que as haviam desencavado, não poderiam suspeitar. 

Ali estava eu de pé, inocente, Mas inquisidor. Do alto deste edifício, o tempo presente contempla o tempo presente. O mesmo que no segundo milênio antes de Cristo.
Reis, esfinges e leões - eis a cidade onde vivo, e tudo extinto. 

Sobrei, preso por uma das pedras que desabaram. E, como o silêncio indiferente julgou a minha imobilidade comsendo a de um morto, todos se esqueceram de mim e foram embora. E vi, quando o silêncio dos que REALMENTE haviam morrido, me invadia.
Via, como quem jamais precisará entender. sem ter depois sequer que lembrar. 

como um olho solto vê.

Há cinco milhões de anos talvez o último troglodita tivesse olhado deste mesmo ponto, onde outrora devia ter existido uma montanha. E que depois, erosada, tinha se tornado uma área vazia onde depois de novo tinham erguido as cidades que por sua vez, de novo se tinham erosado. Hoje o chão é que é povoado.
De pé à janela, às vezes meus olhos descansavam no lago azul que talvez não passasse de um pedaço de céu. Eu estava vivendo a pré-história de um futuro. 
ali no quarto, eu não sabia da espécie de linguagem que me seria revelada aos poucos pra que eu fizesse esse meu relato. Mas já estava preparado para ter que suportar a estação quente e com ela cobras, escorpiões e tarântulas. essas espécies que proliferam quando se derruba uma cidade. 

Eu iria precisar de uma perfuratriz de doze metros, de barbantes  e alguns camelos

Se a “verdade” fosse aquilo que posso entender - terminaria sendo apenas uma verdade pequena, do meu tamanho.

verdade tem que estar exatamente no que não poderei jamais compreender. 

O homem do futuro nos entenderá como somos hoje? 

o homem do futuro, com alguma ternura, afagará nossa cabeça como nós fazemos com o cão que se aproxima de nós e nos olha de dentro de sua escuridão, com olhos mudos e aflitos. 

o homem futuro, nos afagar
ia, remotamente nos compreendendo, como eu remotamente ia depois me entender, sob a memória da memória já perdida de um tempo de dor

Bem, além de fixar as dunas com 10 milhões de eucaliptos, eu tinha também que não esquecer,

iria  precisar também de picaretas, de cento e cinqüenta pás e molinetes além de pregos.  e, na hora de rezar, esta só poderia ser feita para as areias, para as quais sempre estive pronto, porque era parte de mim. 

manchas luminosas do céu não eram feias nem bonitas. não diferenciar feio e bonito, ainda aterrorizava o meu humano.

Procurei pensar no Mar Negro, nos persas descendo pelos desfiladeiros - mas também nisso tudo não encontrei nem beleza nem feiúra, apenas as infinitas sucessões de séculos do mundo.
ttudo tratava-se apenas de uma meditação visual. O perigo de meditar é o de sem querer começar a pensar, e pensar já não é meditar,  O menos perigoso é, na meditação, “ver”, o que vem antes de palavras de pensamento. 

a noite é tão úmida que nascem plantas. Em casas as luzes se apagam para que se ouçam mais nítidos os grilos, e para que os gafanhotos andem sobre as folhas quase sem as tocarem, 

Há muito tempo me desincrustei  das paredes de uma  caverna submersa , e com meus cílios, contigo nadei de suas profundezas escuras, até hoje
Sabíamos sem a graça de sabêr, que somos a vida que está em nós, 

Através da PROFUNDA ausência de riso da barata, eu percebia a sua ferocidade de guerreiro. me veio a lembrança um amor verdadeiro que eu tinha tido uma vez e que não sabia 

Porque amor era então o que eu entendesse de uma palavra. 

mas só há uma coisa que entendo, a de que não entendo. e se voce se assusta comigo, eu me assustarei comigo também.

Cada palavra - esvoaçava da boca, elas eram ditas mas nem as ouvíamos. nossas bocas é que se mexiam,  

pouco importava que não ouvíssemos. mas  há, como dizíamos, embora o que dizíamos era essencialmente nada. 

Mas ia acabar,  e porque ia acabar, pesava com o próprio peso do fim. 

 a barata com seu corpo todo feito de canos, de antenas e de mole cimento... aquilo era inegavelmente uma verdade anterior a nossas palavras, 

O inferno é a boca que morde e come a carne viva que tem sangue, o inferno é a dor como gozo da matéria, e com o riso do gozo, as lágrimas escorrem de dor. 

E a lágrima vem do riso de dor e de 
amar mais o ritual de vida, que a si próprio. 

a dor tinha alegria, quem comia a cara viva do outro espojava-se na alegria da dor.

eu estava condenado a nunca morrer, pois se eu morresse uma só vez que fosse, eu morreria. E eu queria não morrer mas se não morresse ficaria pra sempre morrendo.
ah, horror meu, tudo isso se passava no largo seio da indiferença... 

Tudo isso se perdendo a si mesmo num destino em espiral, e este espiral não se perde a si mesmo. 
até mesmo o horror ia ser reabsorvido pelo abismo das alturas, do tempo interminável, pelo profundo abismo do Deus: o horror, é absorvido pelo seio de uma indiferença. Tão diversa da indiferença humana. 

mesmo o que existe já, é antigo, não antigo, mas de um tempo muito remoto. no próprio instante em que se parte a barata,  a         grande indiferença   a       reabsorve junto com o meu horror.
no entanto, A barata e eu aspiramos a uma paz que não pode ser nossa - é uma paz além do tamanho do nosso destino. 

minha alma
 é tão ilimitada que sou inalcançável a mim mesmo. Eu me contorço para conseguir alcançar o tempo presente, que me rodeia, mas continuo remoto em relação a ele. O futuro, ai de mim, é mais próximo que o instante presente.
Minha vida é mais usada pela terra do que por mim, sou tão maior do que aquilo que eu chamava de “eu” que, somente tendo a vida do mundo, eu me teria. 

Seria necessário uma horda de baratas para fazer um ponto ligeiramente sensível no mundo.

 mas uma única barata não é um mundo?
Toda a parte mais inatingível de minha alma e que não me pertence - é aquela que toca na minha fronteira com o que já não é eu,  é aí que eu estou.

é uma proximidade excessiva, mas intransponível. Sou mais aquilo que em mim não é.
viver a própria remotidão e atualidade ao mesmo tempo é como um gozo cósmico e que no entanto é horrível e não reduzidos a pequenos chacais onde nós nos comemos em risos. Em riso de dor 

 O mistério do destino humano é que somos inevitavelmente mortais. mesmo assim temos a liberdade para sermos fatais. é de nós que depende a realização deste destino fatal.

Enquanto que os seres não humanos como a barata, realizam o próprio ciclo completo, sem nunca errar porque eles não escolhem. Mas de mim depende eu vir livremente a ser dono de minha fatal finitude que se imporá com incrível crueldade. tão dono sou disso que é bem intransferível. 

se eu decidir não cumprir ficarei fora de minha natureza , que é ser algo vivo. Mas se eu cumprir estarei sendo especificamente humano, algo vivo que carrega carregar o peso de sua finitude.

esse é um regozijo da natureza que pinga em gordas gotas de sangue.
ser um humano não é vir de um orgasmo de outro humano, é um orgasmo da natureza que goza os processos da matéria. 

só por uma anomalia, em vez de sermos o deus, nós queríamos vê-Lo. 

Uma barata é maior que eu porque sua vida se entrega tanto a Ele que ela vem do infinito e passa para o infinito sem perceber, 
Eu caí na tentação de saber. é minha grandeza, que me levou à procura da grandeza do Deus.

encontrava um Deus indiferente que é todo bom por que não é ruim nem bom,  e isso era ter encontrado o inferno

eu estava no seio de uma matéria que é uma explosão indiferente e sem porque. uma matéria indiferente ao medo do fim, de violentas transformações ,que tinha 
o interesse na entropia e na expanção,  mesmo sem saber.  

tentação é comer direto na fonte.  E o castigo é comer-se a si próprio que sou matéria comível. 

no tocar do ultimo tambor me encontrarei sem saber, e jamais saberei o que fiz, assim como um rio desembocando.

 então, Desço como um gato pelos telhados. Ninguém sabe, ninguém vê.  me apresento no escuro, brilhando e mudo.  fiz da madrugada um pressentimento: depressa enquanto é tempo, se é que ainda há tempo. nao preciso matar porque assassinar é roubar uma morte

não sabia que no sofrimento se ria. É que não sabia que se sofria assim. Então havia chamado de alegria o meu mais profundo sofrimento.

alguém como eu, uma acusador da natureza, ou não como eu, um espantado pela força de meus próprios sentimentos.

preciso saber exatamente isto: estou sentindo o que eu queria sentir? ou estou sentindo o que precisaria sentir? pois 
a diferença de um milímetro é enorme, 

neutro soprava. Eu estava atingindo o que havia procurado a vida toda: aquilo que é a identidade mais última e que eu havia chamado de inexpressivo.

Foi isso o que sempre esteve nos meus olhos fotografados: uma alegria inexpressiva, um prazer que não sabe que é prazer e é delicado demais para a minha grossa humanidade

- amor não é´mais do que se sente, diante do qual a palavra “amor” é só um objeto empoeirado. Amor é  a experiência da lama  Sexo é o susto de uma criança.
Deus estava mais no barulho neutro das folhas ao vento que na minha antiga prece humana.
minha identidade sem nenhum sentido humano, é como um murmúrio que poderia tocar na identidade das coisas e até mesmo não dar nomes para elas. 

Havia eu pedido a coisa mais perigosa e proibida? arriscando a minha alma, teria eu ousadamente exigido ver Deus?
E agora eu estava como diante Dele e não entendia - estava inutilmente de pé diante Dele, e era de novo diante do nada. 

A mim, como a todo o mundo, me foi dado tudo, mas eu queria mais: queria saber desse tudo. 

isso era vender a alma a deus, o que era mais perigoso. Ele sabia que eu não saberia ver o que existe: 

a explicação de um enigma é a repetição do enigma. O que É? e a resposta é o que é. O que existe? e a resposta é o que existe.

Eu tinha a capacidade da pergunta, mas não a de ouvir a resposta.
Não, nem a pergunta eu sabia fazer. 

No entanto a resposta se impunha a mim desde que eu nasci. foi por causa da resposta contínua que, em caminho inverso, fui obrigado a buscar a que pergunta ela respondia. 

mas me perdi num labirinto de perguntas fazendo perguntas a esmo,
eu sentia falta do que deveria ser meu

Me deram tudo, e olha só o que é tudo!  uma barata viva que está  a beira da morte. E então olhei o trinco da porta. Depois olhei a madeira do guarda-roupa. Olhei o vidro da janela.

Olha só o que é tudo: é um pedaço de coisa,  um pedaço de ferro, de saibro, de vidro. 

olha pelo que lutei, para ter exatamente o que eu já tinha antes, rastejei até as portas se abrirem para mim, as portas do tesouro que eu procurava: e olha o que era o tesouro!
O tesouro era um pedaço de metal, de cal de parede, um pedaço de matéria feita em barata.

Desde a pré-história eu havia começado a minha marcha pelo deserto, e sem estrela para me guiar, só a perdição e o descaminho  - 

e não o segredo escondido O  mais remoto do mundo, opaco mas me cegando com a irradiação de sua existência, simples. 

o  segredo, era um Um pedaço de coisa.
Minha exaustão se prostrava aos pés do pedaço de coisa, 

O segredo da força era a força, o segredo do amor era o amor - e a jóia do mundo é um pedaço opaco de coisa.
 O segredo de minha trajetória milenar de orgia e morte até eu finalmente encontrar o que eu já tinha, e para isso tinha precisado morrer antes. e agora, por um pedaço de coisa quase dei minha vida
Eu arriscava o mundo por Uma resposta que continuava secreta, mesmo ao ser revelada

 Eu não havia encontrado uma resposta humana ao enigma. tinha encontrado o próprio enigma. 

Minha maior aproximação possível pára à distância de um passo. O que impede esse passo à frente de ser dado? É a irradiação opaca, que tá em mim e na coisa.  Por semelhança, nós nos repelimos; por semelhança não entramos um no outro. 

E se o passo fosse dado? a coisa nunca pode ser realmente tocada. O nó vital é um dedo apontando - e, aquilo que foi apontado, desperta como um miligrama de radium no escuro tranqüilo. 

A luz do miligrama não altera o escuro. Pois o escuro não é iluminável,  o escuro é o nó vital do escuro, e nunca se toca no nó vital de uma coisa.
A coisa para mim terá que se reduzir ao intocável.

 Deus, me dá o que fez. O que fez sou eu? mas não consigo dar o passo para mim mesmo que sou além de pessoa,  coisa. dá meu ser para mim. dá meu ser em mim, não tenho a mim mesmo.  me dá a mim mesmo. me dá o que é meu, quero só o que é meu, mais nada, mas talvez só o nada seja meu, inclusive nunca houve um meu. e nem um eu para caber um meu. 

Mas voce deus, voce  também é ele. também é outro. nao sei se realmente está em mim, já que me parece que não tenho nada.

o homem se envolve num invólucro feito para ser tocado e visto. E eu quero mais do que o invólucro que amo. o eu te amo vai embora, quero eu ficar com o eu te amo . Eu quero o  que eu Te amo
Tremo de medo e adoração pelo que existe.

O que existe e que é apenas um pedaço de coisa, que no entanto vibra e brilha.

o tamanho e a violenta inconsciência do que existe ultrapassa minha consciência. 

o tempo causando transformações faz o que existe e porque estou nesta tempestade de transformação e tempo sinto as ondas do que existe batendo contra mim que sou grão inquebrável. 

E porque sou grão inquebrável? porque existo. Mas não só por existir, estar presente. 

Mas principalmente por ter existido. Eu ter existido é irreversível porque o que existiu nunca deixará de ter existido, nunca deixará de uma vez ter existido. 

Que passei pelo tempo e pela existência é algo impossível de desfazer. 

No entanto, isso é apenas um grão, porque é tão escapadiço, leve, e fulgas, pode não ter restado mais nada, nem na lembrança de um povo extinto. Na verdade é menos singnificante do que um grão real em um mundo 

Ter existido a milhões de anos e ter sua matéria degradada e tão longe do que tinha sido eu, se parece tanto com não ter sido nada e com o próprio nada.

 contudo o grão continua rolar nos abismos de existência e esses abismos chamam-se ficar cada vez mais distante de ter sido, conforme a eternidade avança e embora caído em um profundo e total esquecimento e dissolução, continuará tendo um dia existido, ainda que todo o universo se acabe e tudo isso dentro de uma tranquila indiferença, sem constrangimento, sem saudade, sem nada. 

Então O que existe bate em ondas fortes contra o grão inquebrantável que sou, e este grão rola entre abismos de ondas tranquilas de existência,

 sou Semente, passado ínfimo de consciência, que agora é semente de  coisa que existiu e que esta afogado e desaparecido numa eternidade de inconsciência e de nunca mais. 

e e também de uma permanente neutralidade indiferente, algo tão próximo de Deus. é assim que me salvarei e estarei próximo de dele. Mas isso realmente é algum tipo de salvação?

Eu, pessoa, sou um germe. Muito inferior a eternidade neutra e tranquila da semente. Ser germe dói. Mas minha humanidade não me permite gostar de estar nesta eternidade indiferente, que não sabe de sua mais íntima essência: o existir no agora, assim como uma pessoa viva.

COISA, é existência profundamente ocupada em apenas se processar, 

é esse o segredo. Esse pedaço de coisa dentro do cofre. é a senha do cofre e é o que ele guarda. Mas o próprio cofre, é todo feito do mesmo segredo, 

o cofre onde se encontra a joia do mundo, também é feito todo da mesma joia que ele guarda, do mesmo segredo que esconde, um pedaço de coisa.

no entanto não sabia que a pobreza de um pedaço de coisa  podia ser tão luminosa e me  ampliar. 

a divina indiferença suave quem encontrou o pedaço de coisa. Pois só poderiaa encontrar o que era.  Mesmo o divino vindo dos céus.  Meteorito vem do ceu e é um pedaço de coisa. o divino neutro se pudesse querer, me deixaria ser a adoradora de um pedaço de ferro ou de vidro.

Mas é a mim que caberá impedir-me de dar nome à coisa. O nome é um acréscimo HUMANO desnecessário e dificulta o contato com a coisa, pois não é a coisa, é pois uma barreira anterior. O nome da coisa é um intervalo para a coisa. A vontade do acréscimo é grande - porque a coisa nua é tão tediosa por não ser humana.

Então era por isso que eu sempre havia tido uma espécie de amor pelo tédio. Porque o tédio é neutro, e se parece com a coisa mesma. 

E eu
Não fui grande o bastante: só os grandes amam a monotonia, aspiram o atonal, o som sem melodia, a música sem tom.

Minhas antigas construções haviam consistido em transformar o atonal em tonal, em dividir o infinito numa série de finitos, mas infinito não é quantidade, mas qualidade. e não esgota o infinito  residual.

Natureza um inexpressivo indiferente que no entanto  é vibrante.
como te falar, se há um silêncio quando acerto? Como te falar do inexpressivo?

às vezes nós mesmos manifestamos o inexpressivo - em amor de corpo, a paixão procriativa. 
não há uma forma única de entrar em contato com a vida, há  inclusive as dolorosas, as quase impossíveis - e tudo isso, tudo isso antes de morrer, 

E há também às vezes o extremo desespero do atonal, que é de uma alegria profunda.

 a natureza é o atonal que entrou em desespero extremo, foi assim que os mundos se formaram: o atonal exasperou-se.

tão verdes as folhas, tão coloridas as flores e tão cegas.

Que não se acorde quem está todo ausente, quem está absorto está sentindo o peso das coisas. .
Ou tudo isso é ainda eu estar querendo o gozo das palavras das coisas? 

ou isso é ainda eu estar querendo o orgasmo da beleza extrema, do entendimento ?

Porque o tédio é de uma felicidade primária demais! E é por isso que me é intolerável o paraíso. uma paraíso que não quero porque tem gosto de coisa e a coisa vital não tem gosto, tanto que sangue na boca quando eu me corto e chupo, eu me espanto porque meu próprio sangue não tem gosto humano.

é como olho esculpido de estátua que é vazio e não tem expressão, pois quando a arte é boa é porque tocou no inexpressivo, 

Mas não vai embora sei que depois saberei como encaixar tudo isso na praticidade diária, 
, entende? 

por que teria medo disso? se existe é porque é isto que existe. mas por nunca ter saído verdadeiramente de mim mesmo, posso em tudo que disse ter cometido o mais abissal dos erros.

 Talvez continue errando na procura, mesmo se saísse de mim ou se entrasse na coisa, supondo que entrar nela não fosse apenas petrificar-se. Não mais procurar é um erro? Uma impossibilidade não pode ser erro. Só posso procurar equanto sou incapaz de achar. Qundo puder achar, não poderei mais procurar. Não há erro e nem procura no nada. Será que esse é o maior acerto ou o maior erro? acho que a coisa não procura a si mesma.

 eu quase não acredito no que existe. então adio o tampo presente com tudo que há nele para uma promessa futura.


Na agonia da morte alguma coisa quer se libertar e tem ao mesmo tempo medo de largar a segurança do corpo. 

Escuta sem susto e sem sofrimento: o neutro do Deus é tão grande e vital que, não se aguenta. e então se humaniza deus. 

O horror é que sabemos que é em vida mesmo que vemos Deus.
o reino dos ceus ser agora vai me destruir. 
Por isso não quero o reino dos céus, só sua promessa! 

Grande humanidade ! Mesmo todas as nuances do humano são inerências do neutro indiferente da natureza.

. Se mais me dei a esperança, mais aumentei minha carência. O que fizer de minha carência, será o que terei feito da minha vida
A Via-Láctea não existe para que saibamos da existência dela, mas nós sabemos. Não sei o que chamo de Deus, mas assim pode ser chamado E nós sabemos Deus.

Se só sabemos muito pouco de Deus, é porque precisamos pouco: só temos Dele o que necessariamente nos basta, só temos de Deus o que cabe dele em nós. 

a nostalgia é porque não fomos e não somos o bastante 

sentimos falta de alcançar o inalcançável.

Só vemos a flor até onde nossos olhos razamente se saciam dela.

Assim, deus existe, apenas se precisarmos e na medida que precisamos. 

Deus vai existindo cada vez mais ou cada vez menos conforme nossas carências, que vai da mais grosseira até a mais elevada, 

e as carencias mais elevadas, se parecem muito com os atribultos que demos a deus.

Mais Deus existe. Quanto mais pudermos, mais Deus teremos.

Ele nos usa totalmente porque não há nada em cada um de nós de que Ele, cujas necessidades são absolutamente infinitas, não precise. 

Ele nos usa, e não impede que a gente faça uso Dele

Talvez seres mais evoluídos de outros planetas vivam numa intertroca com deus para eles natural; para nós, por enquanto, a intertroca seria “santidade”

viver é sempre questão de vida-e-morte. Com Deus a gente também pode abrir caminho pela violência. Ele mesmo, quando precisa mais especialmente de um de nós, Ele nos escolhe e nos violenta.

Só que minha violência é comigo mesmo. Para que eu me torne tão desesperadamente maior que eu fiquei vazio e necessitado. Assim terei tocado na raiz do precisar.

 Tenho que me violentar até não ter nada, e precisar de tudo;, minha exigência é o meu tamanho, meu vazio é a medida do meu ser e do meu lugar de existir e Minha vontade é minha pobreza.

Violenta-se deus com amor raivoso. Ele compreenderá que essa nossa avidez colérica e assassina é na verdade a nossa cólera sagrada e vital,

Mas, já que somos pouco e, portanto só precisamos de pouco, por que então não nos basta o pouco? 

É que adivinhamos o prazer. pressentimos que há um intenso prazer de viver.

E se pressentimos, é também porque nós nos sentimos inquietamente usados por Deus, sentimos inquietantemente que estamos sendo usados com um prazer intenso e ininterrupto - aliás, a nossa salvação por enquanto tem sido a de pelo menos sermos usados, já que não somos úteis, somente aproveitados; corpo e alma são para isso
















































Para reduzir




me reorganizarei daquilo que nasci, assim como no neutro do sêmen está inerente o ritual da vida. 

não resistirei à minha vontade de entrar no tecido misterioso, nesse plasma de onde talvez eu nunca mais possa sair

O neutro, Estou falando do elemento vital que liga as coisas. ah!!!, não tenho medo que voce não compreenda, mas sei que não me compreendi. 

então se descobre a ampla vida da indiferença silenciosa, extremamente ocupada, a mesma dos astros.  ali não há piedade nem esperança, só a maravilhosa grandeza da indiferença.


sei o que se faz no escuro da natureza. gozam-se as coisas. Frui-se a coisa de que são feitas as coisas 

procura me entender, a proteína e o sêmen são vivos, neutros e indiferentes.
ao experimentar o gosto da identidade real, esta parecia tão sem gosto como o gosto que tem na boca uma gota de chuva. 

sentir o gosto desse quase nada, é a alegria secreta dos deuses. 

a essa altura o quarto já era de um familiar, igual aquela familiarização que temos com nosso sonhos. mas como no sonho, nao se pode reproduzir o que há no seu essencial  pois sua verdade maior se perde ao acordar.

de novo um cançado me tomou.  Um pouco mais e ele me petrificaria.
Então voltei a janela do quarto e vi o começo das areias 

Eu havia desencavado o futuro - e minhas mãoes nem suspeitavam

Do alto deste edifício, o tempo presente contempla o tempo presente. O mesmo que no segundo milênio antes de Cristo.
Reis, esfinges e leões - eis a cidade onde vivo, e tudo extinto. 

Sobrei, preso por uma das pedras que desabaram. E, como o silêncio indiferente julgou a minha imobilidade comsendo a de um morto, todos se esqueceram de mim e foram embora. E vi, quando o silêncio dos que REALMENTE haviam morrido, me invadia.

Via, como quem jamais precisará entender. sem ter depois sequer que lembrar. 
como um olho solto vê.

Há cinco milhões de anos talvez o último troglodita tivesse olhado deste mesmo ponto, onde devia ter existido uma montanha. E depois essa montanha se erosou, se tornado uma área vazia onde depois de novo tinha se erguido uma cidade, que por sua vez, de novo se tinha erosado. Hoje só o ceu e um pedaço extinto de chão. 

De pé à janela, às vezes meus olhos descansavam em um longiquo lago azul que talvez não passasse de um pedaço de céu.

eu já estava preparado para ter que suportar a estação quente e com ela cobras, escorpiões e tarântulas. essas espécies que proliferam quando se derruba uma cidade. 

Eu iria precisar de uma perfuratriz de doze metros, de barbantes  e alguns camelos

e de saber que Se a “verdade” fosse aquilo que pudesse entender - terminaria sendo apenas uma verdade pequena, do meu tamanho.

verdade tem que estar exatamente no que jamais poderei comprreender

o homem do futuro, com alguma ternura, afagará nossa cabeça como nós fazemos com o cão que se aproxima de nós e nos olha de dentro de sua escuridão, com olhos mudos e aflitos. 

como eu remotamente ia depois me entender, sob a memória da memória já perdida de um tempo de dor

Bem, além de fixar as dunas com 10 milhões de eucaliptos, eu também tinha que não esquecer,

na hora de rezar, esta só poderia ser feita para as areias, para as quais sempre estive pronto, porque era parte de mim. 

Nos persas descendo pelos desfiladeiros não encontrei nem beleza nem feiúra, apenas as infinitas sucessões de séculos do mundo que é algo que vinha antes das palavras e dos pensamentos por isso

Há muito tempo me desincrustei  das paredes de uma  caverna submersa , e com meus cílios, contigo nadei de suas profundezas escuras, até hoje

me veio a lembrança um amor verdadeiro que eu tinha tido uma vez e que não sabia 

Porque amor era então o que eu entendesse de uma palavra. 

mas só há uma coisa que entendo, a de que não entendo. e se voce se assusta comigo, eu me assustarei comigo também.

Cada palavra - era dita mas nem ouvíamos. nossas bocas é que se mexiam,  

mas  há, como dizíamos, embora o que dizíamos era essencialmente nada. 


O inferno é a boca que morde e come a carne viva que tem sangue, é a dor como gozo da matéria, e com o riso do gozo, as lágrimas escorrem de dor. 

eu estava condenado a nunca morrer, pois se eu morresse uma só vez que fosse, eu morreria. se não morresse ficaria morrendo pra sempre

tudo isso se passava no largo seio da indiferença...  se perdendo a si mesmo num destino em espiral, e este espiral não se perde a si mesmo. 
até mesmo o horror ia ser reabsorvido pelo abismo do espaço, do tempo, e pelo profundo abismo do Deus: o horror, é absorvido pelo seio de uma indiferença. Tão diversa da indiferença humana. 

mesmo o que existe já, é antigo, não antigo só antigo, mas de um tempo muito remoto. no próprio instante em que se parte a barata,  a         grande indiferença   a       reabsorve junto com o meu horror.

minha alma é tão ilimitada que sou inalcançável a mim mesmo. 

Minha vida é mais usada pela terra do que por mim, mas sou tão maior do que aquilo que chamo de eu que, somente tendo a vida do mundo, eu me teria. 

Seria necessário uma horda de baratas para fazer um ponto ligeiramente sensível no mundo.
mesmo que uma unica barata fosse o mundo.

Toda a parte mais inatingível de minha alma e que não me pertence - é justamente ali que eu estou.

é uma proximidade excessiva, mas intransponível. 


Sou mais aquilo que em mim não é.

viver a própria remotidão e atualidade ao mesmo tempo é como um gozo cósmico e que no entanto é horrível e não reduzidos a pequenos chacais onde nós nos comemos em risos de dor 

 O mistério do destino humano é que somos inevitavelmente mortais. mesmo assim temos a liberdade para sermos inevitavelmente mortais. é de nós que depende a realização deste destino fatal.

Enquanto que os outros seres vivos não humanos, realizam o próprio ciclo completo, sem nunca errar porque eles não escolhem. Mas de mim depende eu vir livremente a ser dono de minha fatal finitude que se imporá com incrível crueldade. tão dono sou disso que é bem intransferível. 

se eu decidir não cumprir ficarei fora de minha natureza , que é ser algo vivo. Mas se eu cumprir estarei sendo especificamente humano, algo vivo que carregar o peso de sua finitude.

esse é um regozijo da natureza que pinga em gordas gotas de sangue.

ser um humano não é vir de um orgasmo de outro humano, é um orgasmo da natureza que goza os processos da matéria, mas que também se junta como gotas de mercúrio.

só por uma anomalia, em vez de sermo deus, nós queríamos vê-Lo. 

Uma barata é maior que eu porque sua vida se entrega tanto a Ele que ela vem do infinito e passa para o infinito sem perceber, 

é minha grandeza, que me levou à procura da grandeza do Deus.

encontrava um Deus indiferente que é todo bom por que não é ruim nem bom,  e isso era ter encontrado o inferno

eu estava no seio de uma matéria que é uma explosão indiferente e sem porque. uma matéria indiferente ao medo do fim, de violentas transformações ,que tinha 
o interesse na entropia e na expanção,  mesmo sem saber.  

o castigo é comer-se a si próprio que se é matéria comível. 

no tocar do ultimo tambor me encontrarei sem saber, e jamais saberei o que fiz, assim como um rio desembocando.

 então, Desço como um gato pelos telhados. Ninguém sabe, ninguém vê.  me apresento no escuro, brilhando e mudo.  fiz da madrugada um pressentimento: depressa enquanto é tempo, se é que ainda há tempo. nao preciso matar porque assassinar é roubar uma morte

não sabia que no sofrimento se ria. É que não sabia que se sofria assim. Então havia chamado de alegria o meu mais profundo sofrimento.

alguém como eu, uma acusador da natureza, ou não como eu, um espantado pela força de meus próprios sentimentos.

- amor não é´mais do que se sente, diante do qual a palavra “amor” é só um objeto empoeirado. Amor é  a experiência da lama  

Deus estava mais no barulho neutro das folhas ao vento que na minha antiga prece humana.

agora eu estava como diante de deus, e era de novo diante do nada. 

A mim, como a todo o mundo, me foi dado tudo, mas vendi minha alma a deus 
, o que era mais perigoso. Ele sabia que eu não ia saber ver o que existe: 

O que É? e a resposta é o que é. O que existe? e a resposta é o que existe.

Eu tinha a capacidade da pergunta, mas não a de ouvir a resposta.
Não, nem a pergunta eu sabia fazer. 

No entanto a resposta se impunha a mim desde que eu nasci. foi por causa da resposta contínua que, fui obrigado a buscar a  pergunta 

mas me perdi num labirinto de perguntas fazendo perguntas a esmo,
eu sentia falta do que deveria ser meu

Me deram tudo, e olha só o que é tudo!  uma barata viva que está  a beira da morte. 

E então olhei o trinco da porta. olhei a madeira do guarda-roupa o vidro da janela.

Olha só o que é tudo: é um pedaço de coisa,  um pedaço de ferro, de saibro, de vidro. 

olha pelo que lutei, para ter exatamente o que eu já tinha antes, rastejei até as portas se DO TESOURO SE abrirem para mim, e olha o que era o tesouro!
O tesouro era um pedaço de metal, de cal de parede, um pedaço de matéria feita em barata.

Desde a pré-história eu havia começado a minha marcha pelo deserto, e sem estrela para me guiar, só a perdição e o descaminho  - 

e não o segredo escondido O  mais remoto do mundo, opaco mas me cegando com a irradiação de sua existência, simples. 

o  segredo, era um Um pedaço de coisa.
Minha exaustão se prostrava aos pés do pedaço de coisa, 

a jóia do mundo é um pedaço opaco de coisa.
 O segredo de minha trajetória milenar de orgia e morte até eu finalmente encontrar o que eu já tinha, e para isso tinha precisado morrer antes. e agora, por um pedaço de coisa quase dei minha vida

Eu arriscava o mundo por Uma resposta que continuava secreta, mesmo ao ser revelada

 Eu não havia encontrado uma resposta humana ao enigma. tinha encontrado o próprio enigma. 

PORQUE não posso avançar? É pela a irradiação opaca, que tá em mim e na coisa.  Por semelhança, nós nos repelimos; é que a coisa nunca pode ser realmente tocada. O nó vital é um dedo apontando - e, aquilo que foi apontado, desperta como um miligrama de radium 

A luz do miligrama não altera o escuro. Pois o escuro não é iluminável,  o escuro é o nó vital do escuro, e nunca se toca no nó vital de uma coisa.

Podia eu pedir a Deus que me desse o que fez? O que fez sou eu? mas não consigo dar o passo para mim mesmo que sou além de pessoa,  coisa. Eu queria o meu meu ser para mim, pois não tenho a mim mesmo.  me dá a mim mesmo. quero só o que é meu, mais nada, mas talvez só o nada é que seja meu, inclusive nunca houve um meu e nem um eu para caber um meu. 

mas deus deus  também é outro. nao sei se realmente está em mim, já que me parece que não tenho nada.

o homem se envolve num invólucro feito para ser tocado e visto. E eu quero mais do que o invólucro que amo. o eu te amo vai embora com o objeto amado. 

Eu quero o  que eu Te amo

O que existe e que é apenas um pedaço de coisa, mas que vibra e brilha.

a vastidão e a violenta inconsciência do que existe ultrapassa o meu tamanho e minha consciência. 

o tempo causando transformações faz o que existe e porque estou nesta tempestade de transformação e tempo sinto as ondas do que existe batendo contra mim que sou grão inquebrável. 

E porque sou grão inquebrável? porque existo. Mas não só por existir, estar presente. 

Mas principalmente por ter existido. Eu ter existido é irreversível porque o que existiu nunca deixará de ter existido, nunca deixará de uma vez ter existido. 

Que passei pelo tempo e pela existência é algo impossível de desfazer. 

No entanto, isso é apenas um grão, porque é tão escapadiço, leve, e fulgas, pode não ter restado mais nada, nem na lembrança de um povo extinto. Na verdade é menos singnificante do que um grão real em um mundo 

Ter existido a milhões de anos e ter sua matéria degradada e tão longe do que tinha sido eu, se parece tanto com não ter sido nada e com o próprio nada.

 contudo o grão continua rolar nos abismos de existências e esses abismos chamam-se ficar cada vez mais distante de ter sido, conforme a eternidade avança e estar caído em um profundo e total esquecimento dissolvido, que contudo continuará tendo existido, ainda que todo o universo se acabe sem constrangimento, sem saudade, sem nada.  

sou Semente, passado ínfimo de consciência, que agora é semente de  coisa que existiu e que esta afogado e desaparecido numa eternidade de inconsciência e de nunca mais. 

e e também de uma permanente neutralidade indiferente, algo tão próximo de Deus. é assim que me salvarei e estarei próximo de dele. Mas isso realmente é algum tipo de salvação?

Eu, pessoa, NO PRESENTE, SOU inferior a eternidade neutra e tranquila da semente. 

minha humanidade não me permite gostar de estar nesta eternidade indiferente, que não sabe de sua mais íntima essência: o existir no agora, assim como uma pessoa viva.

é esse o segredo. Esse pedaço de coisa dentro do cofre. é a senha do cofre e é o que ele guarda. Mas o próprio cofre, é todo feito do mesmo segredo, 

o cofre onde se encontra a joia do mundo, também é feito todo da mesma joia que ele guarda, do mesmo segredo que esconde, um pedaço de coisa.

no entanto não sabia que a pobreza de um pedaço de coisa  podia ser tão luminosa E AMPLIADORA.

NAO há nada de errado nisso, Pois só poderiaa ser o que era. 

 nao é preciso dar nome a coisa, pois nome é uma barreira para a coisa. O nome da coisa é um intervalo para a coisa. A vontade do acréscimo é grande - porque a coisa nua é tão tediosa por não ser humana.

Então era por isso que eu sempre havia tido uma espécie de amor pelo tédio. Porque o tédio é neutro, e se parece com a coisa mesma. 

E eu
às vezes nós mesmos manifestamos o inexpressivo, essa coisa neutra indiferente da natureza - em amor de corpo, a paixão procriativa. 

uma vez o indiferente entrou em um profundo desespero. foi assim que os mundos se formaram. o vazio se expressou. seu modo era esse, uma certa alegria de um profundo tédio.
tão verdes as folhas, tão coloridas as flores e tão cegas.

Ou tudo isso é ainda eu estar querendo orgasmo das palavras das coisas e do entendimento? 

Porque o tédio é de uma felicidade primária demais! 

calma! eu sei que depois saberei como encaixar tudo isso na praticidade da vida diária, 

 supondo que entrar na coisa não seja apenas petrificar-se, Talvez eu continue errando na procura, mesmo se saísse de mim ou se entrasse na coisa, 

Só posso procurar equanto sou incapaz de achar. Qundo puder achar, não poderei mais procurar. 

a coisa não procura a si mesma. Será que é assim mesmo? 

não tenho forças para acreditar no que existe. então adio  para uma promessa futura.
Na agonia da morte alguma coisa quer se libertar, mas tem medo de largar a o corpo. 

Não se assuste e nem sofra ao escutar isso: o neutro do Deus é tão grande e vital que é insuportável. e então se humaniza deus. por isso dele quero só a promessa.

Grandisa humanidade ! Mesmo todas as nuances do humano são inerências do neutro indiferente da natureza.

 Não sei o que chamo de Deus, ele não é pra ser sabido. mas dizemos sabe-lo. 

Assim como a Via-Láctea não existe para que saibamos de sua existência mas nós dizemos sabe-la.

só temos de Deus o que cabe dele em nós. 

mesmo assim, sentimos falta de alcançar o inalcançável.

Só vemos a flor até onde nossos olhos razamente se saciam dela.

Assim, deus existe, na medida que precisamos dele.

Deus vai existindo cada vez conforme nossas carências, que vão das mais grosseiras até as mais elevadas, e as carencias mais elevadas, se parecem muito com os atribultos que demos a deus.

as necessidades de deus são absolutamente infinitas, então para que eu possa ser notado por ele, tenho que ficar vazio e necessitado, não tendo nada e precisando de tudo

, minha exigência é o meu tamanho, meu vazio é a medida do meu ser e do meu lugar de existir e Minha vontade é minha pobreza.

Mas, já que somos pouco e, portanto só precisamos de pouco, por que então não nos basta o pouco? 

É que pressentimos que há um intenso prazer de viver.

esse pressentimento é porque nós também somos usados por Deus com um intenso prazer  ininterrupto. aliás, essa é nossa salvação, porque somos inuteis, mas pelo menos somos aproveitados. corpo e alma são para isso










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